Uma ilha heróica

Texto e fotos: Denise Tamer           

 O único país que viveu de fato, há 50 anos, uma revolução socialista viva até hoje. Passei um mês em Cuba,  a e grande parte dos dias em Havana. Meu primeiro contato com uma pessoa cubana foi logo na chegada, no aeroporto. Assim que peguei minhas malas e passei pela identificação, fui direto ao banheiro e lá estava aquela responsável por cuidar do lugar. Ela, muito curiosa, perguntou de onde eu era, ; conversamos um pouco e  questionou se eu não tinha algum livro ou revista sobre a história do Brasil, e infelizmente não tinha nada.  Fiquei bastante pensativa com o pedido dela, afinal não queria uma moeda e sim um material informativo do meu país. Passado o ocorrido segui para a minha hospedagem. Já havia alugado um quarto em uma casa de cubanos para ficar. Essa é a melhor opção, pois é possível conhecer e vivenciar de perto os hábitos dos moradores da ilha. E também porque os hotéis são bem mais caros. Nos outros quartos de aluguel da casa estava uma suíça e uma holandesa. Duas meninas bem legais que, assim como eu, estavam lá para conhecer a realidade de Cuba e fazer um curso de espanhol.       
                                                                          
            Em Havana vivem 11 milhões de pessoas, e o povo cubano é forte e bonito. Não vi ninguém morando nas ruas ou debaixo da ponte. No bairro Centro Habana é possível notar como eles compartilham o teto. Um quarto pode virar dois, uma sala, outro apartamento... É difícil encontrar alguém sem lugar para morar.  Já no bairro Habana Vieja, o centro histórico da cidade, ficam os tradicionais bares. Chegando neles é imprescindível tomar um Mojito, que é uma “bira” típica feita com rum, folha de hortelã (que eles chamam de yerba buena), limão e água gaseificada. Mas Cuba Libre é a melhor pedida dos cubanos, feita com rum e TuKola (refresco nacional).    
                                                                   
            Fui no auge do verão, o sol era fortíssimo, assim como o calor era intenso. Nesta época é bem comum se nos depararmos com senhoras com guarda- chuva se protegendo do sol. Todas as pessoas usam roupas leves e curtas. As cubanas adoram acessórios e  blusas douradas e é normal ver homens com a camiseta da seleção do Brasil, principalmente do Ronaldinho Gaúcho.       
      
            Em julho a população está em férias e em festas, mais ainda nos dias do carnaval. O ponto de encontro em Havana é no Malecón. – Um um grande  calçadão que beira a costa do mar, contemplado pelo pôr do sol, é pra lá que a população vai à noite. Crianças, jovens, pessoas mais velhas, uns com violão, : o Malecón  não tem regra, é gente de tudo que é tipo e idade passeando. O povo cubano é muito animado, e é comum vê-los dançando. Reggaeton é o som mais escutado, um ritmo forte para pessoas calientes!  Vê-los dançando salsa também é normal, principalmente na boate 'Casa “Casa de La Musica'Musica”, onde acontece um show ao vivo que anima todos os presentes. Nos bares e restaurantes há bandas, sem microfones, tocando musicas tradicionais cubanas como Dos Gardenias, Hasta Siempre Comandante, Guantanamera e Chan Chan. Os músicos recebem, merecidamente, gorjetas dos turistas.  
         
           Os carros que circulam no país são, na grande maioria, da década de 50 e eles transportam muitas pessoas.  Em Havana funcionam os 'taxis “taxis colectivos'colectivos”,  – são esses carros antigos que levam os cubanos para todos os lados. Durante o caminho vão arrecadando os passageiros. Enquanto alguns descem, outros sobem. E o preço é acessível para todos.                          
           Cuba tem praias lindas com água transparente, uma natureza exuberante e ainda intocada. Conheci Varadero, uma das praias mais lindas e turísticas, com hotéis de luxo e restaurantes caros, mas é possível alugar quartos na praia e comer peixe por um preço melhor. O balneário ocupa 18 Km de extensão de uma península que é ligada ao continente por uma ponte. EspetácularEspetacular!                   
           
Além de Havana e Varadero, outra cidade importante de interessante de conhecer é Trinidad. Ela foi uma das sete primeiras cidades a ser fundada em Cuba. Super antiga, chão de pedras redondas e casas coloniais coloridas. Parece que parou no tempo. Por seu conteúdo histórico é interessante recorrer todos os museus do local. Os preços são tratáveis, embora alguns museus cobram cobrem uma taxa a mais pela máquina fotográfica. Há 14 Km de Trinidad fica a Playa Ancón, muito bonita e tranquila,  vale a pena ir de bicicleta alugada até lá. Um passeio cansativo, mas que compensa pela beleza contemplada no caminho.                                                                 
           
           Seguindo a trilha das principais cidades de Cuba, está Santa Clara. É lá que se encontra o mausoléu do Che Guevara. O culto ao comandante é vistoa pela grandiosidade da obra e pelos outdoors da cidade, todos voltados para a exaltação 'del “del ejemplo Che'Che”. Santa Clara foi muito importante para o triunfo da revolução de Fidel e seus companheiros, . Che agiu tombando um trem com muita munição e soldados do inimigo. Os vagões do trem derrubado ainda estão no local, que se tornou um museu ao ar livre e gratuito.                                        
           
           Circulam duas moedas em Cuba,  para ir lá é preferível levar euros Euros, pois a taxa de troca é menor. O dinheiro é trocado em 'Cadecas', que são as casas de câmbio do país. E nessa troca é possível escolher qual moeda se quer, Moeda Nacional (Peso Cubano) ou Peso Convertible.  Uma vale muito menos que a outra. Demorei um pouco para entender  as diferenças das taxas, mas depois que entendi a relação sempre dava preferência e procurava comer e fazer compras com Moeda Nacional, pois valia muito a pena.  Alguns lugares turísticos cobram o pagamento dos visitantes em Peso Convertible e para os cubanos o pagamento em Moneda Nacional.  Assim que é legal, tanto economicamente quanto culturalmente, se misturar com os cubanos.
           
           O cinema na ilha é propagado e é uma pratica prática comum da população. Em frente ao principal cinema da cidade, o Cine Yara,  ficam senhoras vendendo pipocas em sacolas de plásticos por um bom preço. Quem tem a mínima noção de espanhol consegue acompanhar um filme  e entender a história.
            A simpatia dos cubanos com os brasileiros é grande, eles adoram samba e futebol. Eles  têm um carinho por todos 'os “os povos de latino- America'américa”. O turismo  na ilha ainda está em crescimento, mas o país recebe anualmente muitos estudantes, principalmente de medicina e cinema.
 
 
Algo mais...
 
          Charutos cubanos. É comum ver homens e mulheres andando nas ruas e fumando charutos. Na capital existem lojas em que se vendem charutos, mas também rola no mercado negro, nas esquinas. O preço é melhor e a qualidade é a mesma.
 Os cubanos apelidam sujeitos maus ruins de cama de 'mala “mala hoja'hoja”, uma alusão à folha dos melhores charutos cubanos, os boas “'hojas'hojas”.
 As ligações internacionais são feitas de um hotel internacional, as tarifas são caras e algumas vezes a ligação é cortada.    

          O acesso à internet é restrito, é preciso ir a hotéis internacionais e comprar um cartão de uma hora que equivale a duas refeições. Assim, quem vai para lá deve estar disposto a conectar pouco na rede.
Nas últimas semanas encontrei umas senhoras que faziam comida e vendiam em caixinhas de papelão. Era só passar na casa delas do meio dia a uma. Um tempero delicioso e uma prática simples.
         
          O povo cubano é receptivo e divertido. Eles gostam do Brasil, principalmente por ser um país da “latino-américa”. Na rua é normal ver homens com a camiseta da seleção brasileira. Inteligentes e curiosos, quando dizia minha nacionalidade, logo surgiam os assuntos sobre futebol, mulher, samba, Lula, carnaval...
   
          Cuba é cheia de cores, cheiros e particularidades. É preciso conhecer a ilha e seu sistema socialista para julgá-la. Eu garanto que é inesquecível.
 
          Santiago, de Cuba, é a segunda maior cidade do país e fica localizada na parte oriental. Os outdoors de Cuba são todos a favor do sistema socialista e informativos para a população. Não existem propagandas de consumo nas ruas. E é fácil notar a constante utilização das cores da bandeira (azul, vermelho e branco)  na decoração das cidades e dos ônibus. Sobre essas cores da bandeira, cada uma tem um significado. Azul é a cor do céu, branco significa a pureza dos sonhos do povo, e o vermelho representa o sangue de todos os lutadores da pátria.